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"Fafá de Belém, o Musical" chega a Belo Horizonte para celebrar cinco décadas de uma história que se confunde com a música brasileira

14 de set.
5 min de leitura

Espetáculo protagonizado por Lucinha Lins, Helga Nemetik, Laura Saab e Clarah Passos revisita a vida e a carreira da cantora paraense em uma viagem por memórias, música, Amazônia, política e identidade. Apresentações acontecem nos dias 18 e 19 de setembro, no Grande Teatro do Sesc Palladium


Lucinha Lins com traje azul brilhante e cocar de penas, cercada por dançarinas em palco com iluminação verde, em movimento festivo.
Lucinha Lins interpreta Fafá de Belém nos dias atuais - Foto: Nill Caniné/divulgação

Há histórias que podem ser contadas. E há histórias que precisam ser cantadas. A trajetória de Fafá de Belém pertence à segunda categoria. Ao longo de cinco décadas, a cantora paraense transformou sua voz em símbolo de uma Amazônia pulsante, de uma mulher brasileira que nunca teve medo de ocupar espaços e de uma artista cuja história atravessa a música, a cultura, a política e a memória afetiva de diferentes gerações.


É essa trajetória, cheia de paixão, coragem, fé, brasilidade e emoção, que chega aos palcos de Belo Horizonte com “Fafá de Belém, o Musical”. O espetáculo será apresentado nos dias 18 e 19 de setembro, às 20h, no Grande Teatro do Sesc Palladium, como parte da programação do Palco Instituto Unimed-BH 2026.


Mais do que uma biografia musical, a montagem propõe ao público uma viagem pela vida da artista, da menina que cresceu cercada pelas histórias e encantamentos da Amazônia, à cantora que conquistou o Brasil e construiu uma carreira marcada por grandes sucessos e posicionamentos firmes.


No palco, Lucinha Lins, Helga Nemetik, Laura Saab e Clarah Passos dão vida a diferentes momentos dessa personagem que se tornou maior do que a própria carreira. Fafá-menina, Fafá-cantora e Fafá dos dias atuais se encontram em uma narrativa que transforma lembranças em cenas e canções em capítulos de uma vida.


Uma menina do Norte que conquistou o Brasil

O ponto de partida dessa história é a Amazônia. É na floresta, entre lendas, mitos e tradições dos povos indígenas, ribeirinhos e marajoaras, que o espetáculo encontra as raízes de Fafá. A Belém da infância surge no palco como território de descobertas, afetos e pertencimento. Uma cidade que ajudou a formar a mulher e a artista que viria a conquistar o país.


A narrativa se desenvolve em três tempos: o presente, durante a gravação de um documentário sobre os 50 anos de carreira da cantora no histórico Teatro da Paz, em Belém; as memórias de sua infância, envoltas na atmosfera lírica e misteriosa da cultura amazônica; e a construção de uma carreira que ultrapassou as fronteiras do Pará para ganhar o Brasil e o mundo.


No primeiro ato, música e memória caminham juntas. Lendas como a Cobra Grande, o Boto e o Tamba-Tajá se misturam às lembranças da infância e à trajetória da menina cabocla que deixou Belém para seguir seu destino. O universo amazônico também aparece na presença do coro “Carimbó-Siriá”, formado por atores-músicos que acompanham as diferentes fases da cantora. É uma celebração da cultura, da religiosidade, dos vínculos familiares e das raízes que nunca deixaram de acompanhar Fafá.


A trilha percorre momentos fundamentais de sua história, com canções como “Amazônia”, “Bom Dia Belém”, “Foi Assim”, “Eu Preciso Aprender a Ser Só”, “Sedução”, “Filho da Bahia”, “Cavalgada”, “Que Me Venha Esse Homem”, “Eu Sou de Lá” e “Ave Maria”.


Entre essas lembranças, estão ainda o relacionamento com o músico Raul Mascarenhas, apresentado em paralelo à lenda do boto, e o Círio de Nazaré, uma das manifestações religiosas mais importantes do país, que culmina no encontro de Fafá com o Papa.


Laura Saab descalça lê livro no palco, cercada por elenco em roupas claras, sob luzes vermelhas e cenário teatral.
Laura Saab (neta de Fafá de Belém) interpreta a cantora em sua infância - Foto: Nill Caniné/divulgação

Da menina amazônica à diva da MPB

Se o primeiro ato mergulha nas raízes, o segundo revela a mulher que aprendeu a transformar sua voz também em posicionamento. A atmosfera amazônica dá lugar à estética urbana da diva da MPB. Surge uma Fafá consagrada, intensa, politizada e dona do próprio discurso. A montagem revisita seu envolvimento com momentos importantes da história brasileira, como o movimento Diretas Já, evidenciando a dimensão cidadã de uma artista que nunca separou completamente sua voz musical de suas convicções.


Também há espaço para celebrar a relação de Fafá com a comunidade LGBTQIA+. Em uma das cenas marcantes, um grupo de drags homenageia a cantora ao som de sucessos como “Abandonada”, “Meu Homem”, “Memórias” e “Sob Medida”, ressaltando uma relação de afeto, respeito e apoio construída ao longo de sua trajetória.


Portugal também ocupa um lugar especial nessa história. O espetáculo revisita a ligação da cantora com o país em uma cena ambientada no Cassino do Estoril, ao som de “Nem às Paredes Confesso”.

E quando a narrativa retorna ao Pará, é como se a artista reencontrasse a menina que um dia deixou Belém para ganhar o mundo. A participação do DJ Zé Pedro na criação do álbum “Do Tamanho Certo para o Meu Sorriso”, inspirado no tecnobrega paraense, representa justamente essa reconexão com as raízes.


O espetáculo passa ainda por sucessos como “Emoriô”, “Coração do Agreste”, “Bilhete” e “Nuvens de Lágrimas”, até chegar a um encerramento grandioso, embalado pelo Boi de Parintins e pela força de “Vermelho”.


Helga Nemetik em vestido verde no palco azul, com fitas translúcidas e golfinhos suspensos, em cena etérea.
Helga Nemetik como Fafá cantora - Foto: Nill Caniné/divulgação

Uma vida inteira cabendo no palco

Com texto e roteiro musical de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche, direção artística de Gustavo Gasparani e idealização e produção artística de Jô Santana, “Fafá de Belém, o Musical” utiliza a linguagem do teatro musical para fazer algo maior do que simplesmente contar uma biografia. O espetáculo transforma a carreira de Fafá em experiência.


É música, mas também é memória. É teatro, mas também é identidade. É uma história individual que, ao mesmo tempo, ajuda a contar capítulos da própria história cultural e política do Brasil.

E talvez seja justamente aí que esteja a força dessa homenagem: ao revisitar Fafá de Belém, o público também reencontra um pouco de si, uma canção que marcou uma época, uma lembrança de família, uma imagem da Amazônia, uma luta, um amor, uma festa ou simplesmente aquela sensação inexplicável que só a música é capaz de provocar.


Depois de 50 anos de carreira, a voz de Fafá continua atravessando gerações. Agora, essa voz ganha também um palco para contar sua própria história. E em Belo Horizonte, essa história será cantada, dançada e vivida diante do público.


Trecho da música "Eu sou de lá", interpretada por Lucinha Lins e elenco - Vídeo: Dudu Chamon/divulgação

Serviço:


“Fafá de Belém, o Musical” em Belo Horizonte

Dias: 18 e 19 de setembro, sexta e sábado

Horário: 20h

Local: Grande Teatro do Sesc Palladium — Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, Belo Horizonte/MG

Classificação: 12 anos

Duração: 2h40, com intervalo de 15 minutos


Ingressos:

  • Plateia I: R$ 190 (inteira) | R$ 95 (meia-entrada e cliente Sesc)

  • Plateia II: R$ 150 (inteira) | R$ 75 (meia-entrada e cliente Sesc)

  • Plateia III: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia-entrada e cliente Sesc)

Vendas: Sympla e bilheteria do teatro.

A montagem integra a programação do Palco Instituto Unimed-BH 2026, apresentado pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Unimed-BH, com produção executiva da Pólobh e correalização do Sesc em Minas.


Ficha técnica

Texto e roteiro musical: Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche

Direção artística: Gustavo Gasparani

dealização e produção artística: Jô Santana

Pesquisa: Rodrigo Faour

Elenco: Lucinha Lins, Helga Nemetik, Laura Saab, Ananda K, Clarah Passos, Daniel Carneiro, Diego Luri, Fernando Leite, Gabriel Manitta, Keren Silveira, Mona Vilardo, Naieme, Sérgio Dalcin, Thuca Soares, Jullie Duarte e Thales Huebra.

Produção: Charge Produções e Fato Produções.




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Paula Xavier, formada em Jornalismo pela PUC Minas. Apaixonada pelo jornalismo, mas principalmente por esporte, e entretenimento.

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